18/05/2015, POR NAYARA REIS (FONTE: JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ, CADERNO ECONOMIA)

» ITEM IMPORTANTE PARA CRESCIMENTO DO E-COMMERCE NO BRASIL

Especialista afirma que tem aumentado a confiança do consumidor no sistema de compra on-line, fazendo com que mais de 10 milhões de pessoas, por ano, comecem a comprar pela internet.

Apesar do cenário pessimista que ocorre em vários segmentos em todo o País, a área de E-commerce se mantém em crescimento. Isso se explica pelos números, já que mais de 10 milhões de pessoas passam a comprar pela web a cada ano. A avaliação é da professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Sandra Turchi. Para ela, esse aumento, por ano, se deve ao fato de existirem muitas pessoas ainda fora da web, ou seja, usuários novos que passam a integrar o meio digital a cada dia. Entretanto, explica a palestrante e consultora de Marketing Digital, para que o crescimento seja ainda maior, é preciso avançar em diversos setores, como é o caso de infraestrutura e logística. Nesta entrevista, Sandra Turchi explica um pouco mais sobre o segmento de E-commerce no Brasil.

Qual é o atual cenário do E-commerce no Brasil?
É um cenário de crescimento, sempre, apesar das crises econômicas no País. Isso se deve ao fato de ainda existirem muitas pessoas fora da web, ou seja, há usuários novos todos os dias. O mercado ainda está longe de uma estabilização, há enormes oportunidades para quem deseja empreender nesse canal, pois apenas 25%, aproximadamente, da nossa população, consome diretamente pela internet. Deve-se, porém, tentar identificar necessidades não atendidas dos consumidores, e investir em planejamento e criatividade.

O que precisa avançar nesse segmento no país?
É preciso avançar com relação, principalmente, à infraestrutura logística, pois o País tem dimensões continentais e há poucas alternativas, fazendo com que muitas vezes as empresas se sintam dependentes de praticamente um fornecedor logístico que atenda todo o Brasil.

É possível falar que existe um perfil de quem utiliza o E-commerce no Brasil?
Sim, existe um perfil, é uma pessoa com idade entre 25 e 50 anos, na sua maioria, e com formação superior, concluída ou não, em sua maioria também. A maior parte hoje dos E-consumidores são mulheres, o que tem trazido mudanças ao tipo de categoria vendida pelo E-commerce. Temos que estar atentos, porém, ao perfil do novo E-consumidor, que vem mudando o cenário. Hoje, mais de 53% de quem consome pela web pertence às classes chamadas de baixa renda.

Qual tem sido o comportamento do consumidor on-line no País?
Tem aumentado sua confiança no sistema de compra on-line, fazendo com que mais de 10 milhões de pessoas por ano comecem a comprar pela web. Ele também tem se tornado muito mais crítico e mais participativo, devido ao grande acesso às informações. Essa grande troca de informações, principalmente pelas redes sociais, influencia, e muito, o consumo.

Quais são os principais erros de quem utiliza o E-commerce no Brasil?
Em geral, é tomar decisões baseadas somente em preço, sem levantar mais dados sobre a loja. É necessário conhecer a opinião de ouros usuários e os sistemas de segurança que a loja oferece, bem como seus serviços, como de troca, por exemplo.

Quando se trata de E-commerce, que países se destacam no mundo?
China e Estados Unidos, pelo volume e maturidade do mercado, tanto pelo lado da oferta quando demanda.

Quais foram as novidades que surgiram nos últimos anos relacionadas ao E-commerce?
As novidades, em geral, estão relacionadas à influência do social, ou seja, das redes sociais, que tem tido grande impacto para o consumo. Nesse sentido, temos como grande case nacional, que é o “magazine e você”, do Magazine Luiza, assim como o case da “Camiseteria”. Outra novidade/tendência é a influência do mobile, pois as pessoas querem informação e comércio em todo lugar, e isso ocorre devido à facilidade de acesso trazida pelos equipamentos móveis. Temos como citar de relevante também o avanço da modalidade de compra por assinatura, na qual o consumidor paga uma quantia mensalmente e recebe uma quantidade de produtos. Isso tem sido visto em segmentos como de bebidas (cervejas, vinhos, etc), fraldas (produtos para bebes), produtos pet (para animais de estimação), entre outros.